sábado

2.3Análises dos estágios no Ensino Fundamental e Médio


Ao participar das observações das aulas do Ensino Médio e do Ensino Fundamental, pude perceber que os alunos até o momento não tinham experiências com algumas ou a maioria das linguagens artísticas. Não tinham conhecimento sobre o que era leitura e releitura de obra. Portanto, combinei com as professoras que iria trabalhar com eles no primeiro momento o conceito de leitura e releitura além do que havia programado para esta primeira aula, que foram além da dinâmica de apresentações habituais e a discussão dos planos do estagio, conversar a discussão sobre os conceitos de “o que é arte, para que estudar arte, o que é leitura de imagem, releitura. Análise da arte como registro histórico e como produto cultural. ”
A retomada de conceitos relacionados a arte, bem como o próprio conceito de arte foi imprescindível em ambos os casos, ensino fundamental e médio, tento em vista uma idéia pré- estabelecida em relação ao componente curricular por parte dos alunos, que normalmente não condiz as novas propostas de ensino da arte ou sequer contemplam a arte contemporânea e suas diversas linguagens consideravelmente mais próximas a realidade dos alunos.
No que diz respeito ao ensino da arte precisamos reconhecer que o contato direto com imagens, reproduções, impressas ou digitais é imprescindível para o seu ensino, a falta ou carência destes materiais pode em muito comprometer o desenvolvimento das aulas. Nas escolas públicas é comum nos depararmos com esta realidade, uma saída eficiente para este contratempo, se assim podemos chamar, foi a criação de blogs, posto que a maioria das escolas públicas já disponibiliza de laboratórios de informática com acesso a internet, onde os conteúdos, textos, referências, vídeos, imagens, entre outros, puderam ser veiculados com significativa eficiência. Devemos considerando ainda que o blog nos serviu também como portfólio pois os alunos produziram seus próprios blogs que foi construído durante o desenvolvimento dos projetos proporcionando reflexões, avaliação, motivação, reconhecimento, valorização do trabalho desenvolvido, interesse pela arte contemporânea em especial a arte urbana, bem como o reconhecimento da importância da própria disciplina- Arte.
Os projetos desenvolvidos tiveram como tema central a inserção da arte contemporânea no ambiente escolar percorrendo um percurso que teve como ponto se partida o Modernismo Brasileiro.
A partir destas reflexões e pesquisas foram abundantes as idéias e propostas apresentadas pelos alunos, agora mais seguros para expor seus desejos, idéias e sentimentos certos de que não estavam sozinhos e de que a arte contemporânea pode está presente no dia a dia deles.
O portfólio teve sua execução prazerosa e espontânea e seu processo teve um caráter extremamente seletivo, avaliativo e reflexivo para os educandos, momentos em que puderam rever e reorganizar seu pensamento.
Durante a leitura de imagens, contando com muita ludicidade os educandos em sua maioria surpreendeu, pela grande capacidade de percepção e riqueza na descrição de detalhes muitas vezes imperceptíveis aos adultos, pois esta sensível e fundamental capacidade de ver, fruir e sensibilizarmos, que pulsa fortemente nas crianças.
É fundamental comentar também sobre a produção coletiva das intervenções realizadas na cidade de Irai releitura das intervenções dos grupos GIA e PORO que a medida que dialogavam entre si, contavam histórias e interferiram no espaço instigando, inspirando e aguçando a curiosidade de boa parte da comunidade. A preocupação da turma com o resultado final das intervenções foi bastante considerável assim como a proporção e escolha do espaço adequado para a intervenção.
Seria lamentável deixar de citar os trabalhos realizadas pelos alunos da quinta série que trabalharam com os períodos do Pontilhismo e Expressionismo ao realizar seus trabalhos a medida que dialogavam entre si, inspirando e aguçando a curiosidade de boa parte da comunidade escolar. A preocupação da turma com a composição cromática foi bastante considerável assim como o tamanho e escolha do espaço adequado para a produção individual, considerando sempre a produção do colega a capacidade de diálogo entre estas figuras, e o mais curioso, a auto crítica após a conclusão do painel em diálogos espontâneos, comentários sobre formas ou cores diferentes que teriam melhores resultados, entre outros.
Durante a atividade os alunos, tiveram grande preocupação com o espaço, plano de fundo, temática, mas de modo geral muito satisfeitos e a cada montagem mais motivados a criarem novas situações.
No que diz respeito ao ensino médio a idéia de portfólio foi logo vista como um problema, algo incômodo, chato e complicado, porém ao chegar a idéia de um blog como Portfólio concluíram que o mesmo não deveria ser um resultado mas sim um processo, precisamos reconhecer que está resistência de certa forma prejudicou um pouco a sua produção, porém logo foi muito gratificante vê-los reconhecer e solicitar que o portfólio fosse contínuo e se estendesse aos demais trimestres.
Inicialmente a idéia de arte contemporânea assustou um pouco os educandos, porém logo se mostraram muito dispostos na elaboração das propostas de intervenção na cidade, realizando uma releitura que misturou as propostas dos grupos GIA, Esqueleto Coletivo e Poro como podemos conferir nos blogs: http://albumdearte.blogspot.com/ e http://agendadeartes.blogspot.com/ , os próprios Portfólio dos alunos. A maioria da turma considerou as intervenção na cidade um verdadeiro sucesso e questionaram logo quando e onde seria a próxima, foi muito gratificante.
No que diz respeito às dificuldades apresentadas pelos educandos, no ensino fundamental, por exemplo, percepção espacial, noções de perspectiva, o pouco contato com elementos artísticos, porém muito bem superadas, é claro respeitando e considerando a maturidade de cada educando, durante as atividades eram realizados atendimentos individuais, discussões no grupo na busca de soluções, exposição, discussão e avaliação coletiva dos trabalhos, muita leitura de imagens.
As crianças em geral, como já foi citado anteriormente são muito espontâneas, autocríticas e sensíveis, assim sendo capaz de rever e reconsiderar suas produções. A arte é inegavelmente uma linguagem universal especialmente no mundo infantil.
Outro aspecto importante a ser considerado foi a excelente capacidade perceptiva de dois alunos especialmente, que carregam consigo uma história não tão feliz no contexto escolar, dificuldades na leitura e escrita, histórico de repetência, obtiveram considerável destaque na área de arte, ao contrário do que se imaginava a sensibilidade visual, interpretativa e imaginativa destes alunos foi surpreendente , o que fez com que auto estima dos mesmos fosse elevada, sentindo-se motivados, instigados, e até mesmo muito dispostos para as produções.
No ensino médio os educandos já construíram toda uma história, produziram idéias, organizaram conceitos ao longo de sua vida escolar, a maior dificuldade encontrada foi a partir dos conceitos e pré-conceitos estabelecidos apresentar esta nova idéia de arte na escola, até então limitada a técnicas de reprodução, decoração, artesanato. Porém a medida em que os educandos se permitem reelaborar seus antigos conceitos o desenvolvimento das aulas torna-se muito gratificante.
Esta reelaboração de conceitos só foi possível através de muita pesquisa, apresentação de materiais, imagens, periódicos, leitura de imagens, visitas em sites e blogs referentes a arte contemporânea, em especial a arte urbana, é inegável a importância da internet como uma ferramenta versátil, eficaz e fascinante aos adolescentes capaz de, em nosso caso aproximar de forma significativa, fazendo-os refletir sobre a capacidade sensibilizadora e inusitada da arte contemporânea em especial.
É preciso admitir que a criação de um blog para a turma, onde foram postados textos, referências, comentários, fotografias, entre outros, foi um recurso muito motivador e instigante para os educandos, que além de facilitar a veiculação, observação e leitura de imagens e obras colocou-os como co-responsáveis na sua produção e resultados.
O conceito de arte se modificou o educador tem um papel fundamental dentro da concepção contemporânea de arte-educação, temos a tarefa fundamental de despertar nos educandos à vontade de aprender, interpretar e aperfeiçoar-se, através especialmente do ensino da arte contemporânea despertar no educando o desejo de decifrar, suscitar o pensamento, criar situações de experiências que provoquem o pensamento, inserindo este novo conceito de beleza da arte contemporânea, a beleza intrínseca, que é suscitada mesmo através do estranho, nojento, feio.
A inserção da Arte contemporânea no Ensino da Arte repercutiu em muitas contribuições e experiências diversificadas, além de desafiar e inquietar a medida que desequilibra, provoca, fazendo com que se queira saber sempre mais, transformando a própria forma de ver, pensar e repensar o a próprio cotidiano.

Os alunos em artes visuais, devem aprender conteúdos relacionados ao fazer,
ao apreciar e ao refletir sobre a arte e sua história baseados na Concepção
Triangular de ensino de arte na relação do fazer, da leitura da obra e da
contextualização. Segundo Barbosa, (2002, p.70):

A Proposta Triangular permite uma interação dinâmica e multidimensional, entre as partes e o todo e vice-versa, do contexto do ensino da Arte, ou seja, entre as disciplinas básicas da área, entre as outras disciplinas, no inter-relacionamento das três ações básicas: ler, fazer e contextualizar e no inter- relacionamento das outras três ações decorrentes: decodificar/codificar, experimentar, informar e refletir.
Como podemos perceber este caminho foi plenamente percorrido durante o desenvolvimento dos estágios, tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio, obtendo-se assim resultados bastante satisfatórios, e no caso do Ensino Médio até mesmo surpreendente, visto que no inicio das aulas os alunos mostravam-se bastante inseguros frente a Arte contemporânea e a final no estágio mostraram-se amplamente envolvidos.
A Arte cumpre importante papel em nossa vida, a medida em que desenvolvemos a capacidade de observar o mundo estamos fazendo muito de arte, posto que esta é essencialmente uma manifestação do homem.
Se até o século XIX a arte servia para ser apreciada; hoje ela é para ser lida e vivida, deixando assim de priorizar a estética do objeto, passando a ter como essência a beleza do sentir . Os signos da arte contemporânea universais e fragmentários, podem nos levar à análise e à síntese, à descoberta de novas possibilidades de ação, a reconhecer o outro como ser sensível, à volta da emoção como emergência natural de expressão.

2.4 Relações com a comunidade educativa e relações interpessoais

A relação com a comunidade educativa foi excelente, sendo um ponto positivo do estágio, o estudo dos documentos da escola foi fundamental para a realização da análise das propostas da escola o que teve intenso apoio da supervisão escolar, só assim pode-se tirar conclusões, relacionando a teoria proposta pela escola com a prática desenvolvida.
Vivemos num mundo que exige cada vez a capacidade de extrair do caos forças geradoras de interrogações que apelam a investigações visuais capazes de enfrentar o desencanto e a anestesia promovidos pela correria do dia-a-dia contemporâneo e por uma estreita visão do futuro.
Nesse sentido a proposta de trabalho apresentada intitulada “A arte Contemporânea” proporcionou através das atividades propostas e integralmente relacionadas ao tema a idéia de integração, bem como interação dos espectadores, no caso da turma de Ensino Fundamental, mais especificamente a comunidade escolar, no caso da turma de Ensino Médio portanto pode-se se ampliar estas relações a medida em que pode-se realizar intervenções artísticas na praça pública localizada no centro da cidade realizando com propostas artísticas em uma releitura de um dos trabalhos propostos pelo grupo GIA ( Balo
Foi possível observar durante a execução de um dos trabalhos (painel) pela turma da 3ª série do ensino fundamental, o interesse das demais turmas das séries iniciais que foram instigadas espontaneamente e logo convidadas juntamente com seus professores a dar seqüência ao trabalho que vinha sendo desenvolvido durante o estágio, o que foi bastante gratificante e motivador, provando assim a capacidade sensibilizadora da arte.
A partir daí deu-se início ao desenvolvimento de um grande projeto envolvendo principalmente as séries iniciais do ensino fundamental, professores dispostos a integrar mais integral e efetivamente a arte em seus currículos, reconhecendo ainda a sua importância e a capacidade de desenvolver em seus alunos habilidades que muitas vezes são deixadas de lado.
Nos foram proporcionados pequenos encontros que possibilitaram a integração, exposição da proposta de estágio, troca e indicação de materiais, apresentação da metodologia, visto que nenhum dos demais professores envolvidos tem formação na área de arte.
Entender a arte em sua capacidade de despertar, integrar, instigar e encantar a medida em que possibilita a produção de significação coletiva partindo de singularidades.
Quanto as atividades desenvolvidas pelo Ensino Médio, a medida que interferimos no espaço da escola a reação de estranheza, desconfiança, foi capaz de criar sensações, situações capazes de desconcertar a comunidade escolar fazendo com que quisessem saber mais sobre a arte e sua manifestações contemporâneas.
A experiência com a arte é capaz de reacender a chama do encantamento e a medida em que proporcionamos os questionamentos através de experiências artísticas visuais já estamos permitindo uma significativa interação com a arte contemporânea.

sexta-feira

2.5 Síntese final


O estágio foi um período em que se buscou vincular aspectos teóricos com aspectos práticos. Foi um momento em que a teoria e a prática se mesclaram para que fosse possível apresentar um bom resultado. E, sobretudo perceber a necessidade em assumir uma postura não só crítica, mas também reflexiva da nossa prática educativa diante da realidade e a partir dela, para que possamos buscar uma educação de qualidade, que é garantido em lei (LDB - Lei nº 9394/96).
Realmente não foi fácil esse estágio, encontrei diversas dificuldades, principalmente pelo fato de os alunos não ter nenhuma base do que era uma verdadeira aula de arte, juntamente com à estrutura física da escola, pois a sala era pequena, para os 35 alunos, a falta de um ambiente adequado para a realização das aulas de arte bem como a falta de matérias não contribuíram para a realização de muitas das atividades.
Busquei trabalhar de forma dinâmica, precisamos ter uma postura efetiva de um profissional que se preocupa verdadeiramente com o aprendizado, que deve exercer o papel de um mediador entre a sociedade e a particularidade do educando. Devemos despertar no educando a consciência de que ele não está pronto, aguçando nele o desejo de se complementar, capacitá-lo ao exercício de uma consciência crítica de si mesmo, do outro e do mundo. Mas como fazer isso é o grande desafio que o arte educador encontra.
Pode-se afirmar, que o portfólio apresenta-se como um excelente instrumento de avaliação a medida em que permitiu identificar questões relacionadas ao modo como os estudantes refletem sobre quais os reais objetivos de sua aprendizagem e como ele articulou seus conhecimentos, assim, da mesma forma o educador será capaz de avaliar e rever as estratégia utilizadas e quando necessario redirecionar seu ensino. Como podemos perceber o portfólio proporciona a ambas as partes, educandos e educador ampla reflexão sobre o processo vivido permitindo e motivando a reelaborações necessárias a um conhecimento mais real e paupável ao educando.
O papel da arte na educação escolar quando se propõe aprender/ensinar como enfrentar os problemas da civilização, da cultura, do cotidiano, sendo assim enquanto arte-educadores, cabe a nós instigar os educandos a perceber através do “olhar” as visões de mundo que podem ser reveladas através da arte, percebendo que, assim como cada artista eles tem também, visões de mundo, repertórios, memórias. Desta forma, e respeitando as individualidades seremos capazes de relacionar interesses, objetivos educacionais, mudando conceitos da arte e do ensino da arte nas escolas de hoje.
Como podemos perceber precisamos de um maior comprometimento coletivo para que o ensino da arte atinja os seus objetivos, tão essências, à medida que reconhecemos a capacidade do ensino da arte de possibilitar vivencias sensibilizadoras, capazes de tornar os educandos seres mais cientes de seus sentimentos e emoções, auxiliando-o na leitura do mundo, ajudando-o a compreendê-lo melhor e a sua história.
Mas sem dúvida alguma o meu aprendizado foi imenso, mesmo concluindo que com a turma do ensino fundamental, poderia ter sido mais ousada. Contudo eles tiveram muitos pontos positivos, e cresceram muito durante este período de estágio. Já com a turma do ensino médio concluo o estágio com um resultado muito maior que as expectativas. Enfim, tenho a sensação de que sou vitoriosa, por alcançar os objetivos traçados para este estágio, por transpor as dificuldades encontradas.

2.6 REFERÊNCIAS

BARBOSA, A M. A Imagem no Ensino da Arte. São Paulo: Perspectiva, 1994.
BARBOSA, Ana Mae. Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte. São Paulo, 2003.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996: Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
CAUQUELIN, Anne. Arte contemporânea: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
Farias, Agnaldo. A arte e sua relação com o espaço público http://www.artenaescola.org.br/ acessado em 15.12.07
FERRAZ, M.H.C. de T. & FUSARI, M.F. de R. e. Metodologia do ensino da arte. São Paulo: Cortez, 1993.
FUSARI, Maria F. R.; FERRAZ, Maria H. C. T. Arte na educação escolar. São Paulo: Cortez, 1992.
Guia da 6ª Bienal do Mercosul / Fundação Bienal do Mercosul; tradução de Gabriela Petit...[et al.]. – Porto Alegre: Fundação Bienal do Mercosul, 2007.
Parâmetros Curriculares Nacionais: arte / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF,1997.

quinta-feira

Anexos (Arte Contemporânea)

1.ARTE CONTEMPORÂNEA


A arte contemporânea, alusão à arte produzida depois da II Guerra Mundial, é caracterizada por apresentar uma ampla disposição para a experimentação, levando os artistas a realizarem uma verdadeira fusão de linguagens, materiais e tecnologias.
Segundo alguns autores como Archer (2001), Cauquelin (2005) e Millet (1997), os artistas procuram questionar os suportes, os materiais, os espaços, gerando conflitos e polêmicas.
Em 1917, Marcel Duchamp enviou para o Salão da Associação de Artistas Independentes um urinol de louça, utilizado em sanitários masculinos, com um título sugestivo de “Fonte”. Não era o primeiro readymade (apropriação e deslocamento de objetos pré-fabricados para o meio de arte), em 1913, Duchamp já havia se utilizado de um banco de cozinha onde parafusou no assento uma roda de bicicleta. Mas foi o primeiro enviado para uma exposição.

1.1 A ARTE CONTEMPORÂNEA NO ESPAÇO URBANO

A arte contemporânea tem cada vez mais estabelecido relações com o espaço urbano, favorecendo relações estéticas e éticas numa sociedade cada vez mais complexa, conforme Pallamin (2.000, p.41) “esta abordagem sobre a valorização de práticas cotidianas é fundamental para a arte urbana, uma vez que aquelas podem se mostrar através desta, modificando os espaços públicos com apropriações inusitadas e, com isto, alterando sua carga simbólica.”

Tendências como intervenções e interferências urbanas, obras que na medida que se impõem no cotidiano convidam para um diálogo com o público comum, considerando as inúmeras possibilidades desde o encantamento a estranheza do espectador que se coloca em contato voluntária ou involuntariamente com a produção artística inserida no espaço urbano. A seguir veremos alguns grupos que vem trabalhando sob estas expectativas.

Poro – Intervenções urbanas e ações efêmeras

De Belo Horizonte. Formado pela dupla Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada!, Atua desde 2002 tendo como focos principais o espaço público, as manifestações efêmeras e as mídias de comunicação de massa.Com a tentativa de problematizar através de ações poéticas a relação das pessoas com a arte, a relação delas com a cidade e a relação da arte com a vida. O público alvo preferido o espaço público. Na tentativa de problematizar através de ações poéticas a relação das pessoas com a arte, a relação delas com a cidade e a relação da arte com a vida. Realizam trabalhos incorporando as poéticas pessoais dos seus membros.

poro@redezero.org
1) ATIVIDADEDividir a turma em 3 equipes.Um representante da equipe receberá a indicação de um espaço.Cada equipe deverá interferir no espaço indicado ao grupo da forma mais radical possível utilizando um mínimo de recursos.
Esqueleto Coletivo
Ativo desde 2002
Origem: São Paulo – SP
Eduardo Verderame + Luciana Costa + Mariana Cavalcante + Thereza Salazar + Rodrigo Barbosa Esqueleto Coletivo é uma associação de artistas e produtores empenhados em ampliar as fronteiras da arte no cotidiano, trabalhando conjuntamente com outros artistas e grupos. O Esqueleto vem desenvolvendo a produção de eventos de arte e exposições, performance e dança, música e vídeo, além de promover parcerias na área cultural.
“ Não ignore, tampouco seja ignorado, cole esta na testa de alguém, mande uma foto para o e-mail dos esqueletos.”

O grupo de artistas paulistas, Esqueleto Coletivo, empenhados em ampliar as fronteiras da arte no cotidiano, apresentam propostas contemporâneas de arte que relacionam-se diretamente com este novo espaço e que questionam, entre outros temas justamente este exagero, esta imposição de imagens a que somos obrigados a digerir diariamente.
À medida que a arte ocupa estes espaços que são roubados ou negados aos artistas, permite também alertar a sociedade, questionar e discutir o uso abusivo de espaços publicitários, principalmente em ambientes públicos.

ttp://www.esqueleto.tk/

GIA – Grupo Imersão Ambiental
“Acredite nas suas ações”


“Desenvolva e utilize, também,
outras formas de se relacionar
de forma positiva e criativa com a cidade”.
SEDE: Salvador, Ladeira da Fonte CARACTERÍSTICAS: linguagem artística contemporânea, diversidade, meios, locais, forma de atuação, cidade como suporte. POSTURA: buscar suscitar uma reação nas pessoas, que não apenas a contemplação.

O GIA surgiu nas dependências da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (EBA – UFBA), quando os estudantes que participavam das reuniões informais do Ateliê Livre do Aluno decidiram partir para uma organização mais ativa e criaram o grupo. Apesar de terem realizado juntos uma exposição na EBA, o grupo só viria a se consolidar num encontro estudantil em São Paulo (repensando o Brasil, 2002), quando conheceram PIA – Projeto de Interferência Ambiental, que organiza projetos a nível nacional.
Composto por:Cristiano Píton , Everton Marcco, Ludmila Brito , Luis Parras , Mark Dayves ,Pedro Marighella ,Priscila Lolata,Thiago Ribeiro ,Tininha Llanos.

O GIA criou sua sede - a Casa da Fonte - e realizou o "Salão de m.a.i.o - Manifestações artísticas e intervenções ousadas" que contou com participações do Brasil, Espanha e Chile.
O Salão de Maio de Salvador, idealizado pelo Grupo de Interferência Ambiental (Gia), tem por objetivo incentivar a produção de arte contemporânea que utiliza os centros urbanos como espaço para a manifestação de suas idéias. Tininha Llanos, integrante do Grupo Gia declara que, “o Salão pretende atuar como um “desprogramador” visual da realidade cotidiana”, o evento deve incentivar o uso de meios não convencionais para a propagação da arte. O salão é aberto e qualquer pessoa pode conferir e participar das atividades que são espalhadas pela cidade.
Os trabalhos escolhidos, são normalmente cartazes, placas e lambe-lambes. “Como não há qualquer tipo de patrocínio, o predomínio deste tipo de trabalho está diretamente associado ao baixo custo de produção e a facilidade de transporte”, afirma Llanos. Além disso, como muitos projetos são enviados pelo correio para serem executados pelo Gia e seus colaboradores, este tipo de trabalho, por exigir menos tempo de execução, acaba sendo uma opção mais viável à produção. De todos os projetos encaminhados, somente aqueles que ficam além da capacidade de realização do Gia são excluídos da mostra.
Concebido numa dimensão inclusiva, o evento pretende estabelecer o diálogo entre diversas linguagens, a idéia é formar uma rede cada vez maior.


As propostas do GIA revelam um entendimento da obra de arte como entidade subjetiva, fragmentária, aberta e instável. Suas intervenções questionam a natureza convencional do objeto artístico, encurtam a distância entre arte e cotidiano, e através do absurdo, utilizando-se da provocação e da ironia, corroem o prestígio social e o valor mercadológico da obra de arte tradicional. O artista contemporâneo está entre dois vazios: o espaço público e o da arte atual. O percurso do GIA até aqui é mais uma das tentativas contemporâneas de retomada do espaço público e da arte.

Balões Vermelhos

A ação “Balões Vermelhos” foi criada em 2002 na cidade de Salvador. A idéia surgiu após um balão vermelho entrar pela janela de um apartamento no vigésimo andar de um edifício da cidade, nesta época festejavam-se as figuras de Santa Bárbara e automaticamente Iansã. A cor usada nesta comemoração é a vermelha, onde aparece em roupas, objetos e decorações das casas dos fiéis. Feita a analogia entre a entidade Iansã, que na crença afro americana simboliza as tempestades e a fúria da natureza bem como o domínio do tempo, da natureza. Assim os balões são uma ação no tempo, ela depende do vento para se propagar. Desta forma os pontos vermelhos no céu materializam o caminho do vento, sinalizam sua existência e seu rumo.

As mensagens enviadas nos balões dependem em geral do contexto em que a ação acontece. Como uma mensagem dirigida exclusivamente para o outro sob o efeito do acaso elas atuam, sobretudo, pela surpresa. O ato de esperar o balão cair, atitude lúdica, reforça o sentido de tempestade já que a intenção de enviar mensagens para o passante vem no sentido de despertar a consciência.

Suas ações refletem uma compreensão da arte que se aproxima muito mais da produção de experiências do que da criação de objetos artísticos únicos e acabados. Trata-se, na sua maioria, de trabalhos efêmeros, realizados a partir de materiais simples e baratos, e pautados na elaboração de situações que se infiltram nos espaços da vida e buscam promover um certo estranhamento, encantamento ou indagação por parte do público. É o caso dos panfletos onde a máxima impressa na parte inferior destes é categórica: “Acredite nas suas ações”. E logo após, em letras menores: “Desenvolva e utilize, também, outras formas de se relacionar de forma positiva e criativa com a cidade”. Ora, incitar as pessoas a acreditar nas suas ações é uma proposição extremamente simples, porém de uma potência extraordinária.
Significa convocá-las a agir. E mais: a fazerem-se presentes em seus atos e a levarem a sério aquilo que fazem, confiantes no poder que seus gestos mais simples podem ter. Trata-se de estimular as pessoas a tornarem-se, de fato, sujeitos de suas histórias.

2) ATIVIDADE PRATICA

Intervenção no centro da cidade



Conclusão

A arte à medida que se insere no espaço urbano, expõe-se a fruição da massa, cumpre seu papel, seja questionando, instigando, permitindo sonho, imaginação ou por vezes repudio ou indiferença.

Refletir sobre a arte e sua relação com o ambiente exige algumas definições, muito bem apresentadas por Nelson Brissac Peixoto (2004,p.15):

A função da arte é construir imagens das cidades que sejam novas, que passem a fazer parte da própria paisagem urbana. Quando parecíamos condenados às imagens uniformemente aceleradas e sem espessura, típicas da mídia atual, reinventar a localização e a permanência. Quando a fragmentação e o caos parecem avassaladores, defrontar-se com o desmedido das metrópoles como uma nova experiência das escalas, da distância e do tempo. Através destas paisagens, redescobrir as cidades.


Sendo assim consideremos que a arte pública, urbana, presente em nosso cotidiano, recria o espaço, visual e conceitualmente, a medida que redefine o ambiente viabilizando a análise crítico-reflexiva do individuo que por ali percorre, instigando a uma redefinição individual capaz de tocar a alma a medida que o sensibiliza neste mundo por vezes tão opaco e indiferente.
...é preciso que aquele que vênão seja estranho ao mundo que ele olha. Nelson Brissac Peixoto

As manifestações artísticas nos espaços urbanos tem nos chamado a reacender a chama do encantamento pela vida através da arte, cabe portanto ao observar que, atualmente usufruir o livre crescimento das artes, a linguagem das intervenções como instrumento crítico e investigativo para elaboração de valores e identidades das sociedades que tem se apresentado como alternativa aos circuitos oficiais, capaz de proporcionar o acesso direto e de promover um corpo-a-corpo da obra de arte com o público, independente de mercados consumidores ou de complexas e burocratizantes instituições culturais.

É fundamental, ver na arte a vida, cotidiano, individualidade, mas ao mesmo tempo características gerais de um povo, de uma época, que sente, que pensa, que protesta, que luta e que deixa sua marca de maneira que enquanto houver alienação humana, haverá assim problemáticas para grandes artistas.

Como podemos perceber não há como negar a influência exercida por ambas às partes, Arte x Espaço, não temos como separá-las ou evitar que aconteça esta troca recíproca de signos, símbolos que dialogam muitas vezes voluntariamente sem a previsão do artista.

Desta forma se pode dizer que este estudo procurou aproximar questões básicas da arte contemporânea em sua relação com o meio considerando sempre o ser humano como agente desta organização urbana onde se apresentam possibilidades de reafirmações, conexões, reconfigurações, enfim, tramas comuns as dinâmicas globais dos ambientes urbanos contemporâneos .

ANEXOS ENSINO MÉDIO

INTERVENÇÃO PRESERVE AGORA! (releitura da obra Folhas douradas PORO)





Convites com balões (releitura de Balões Vermelhos do GIA)






Anexos



Trabalhos dos alunos quinta série...






Aulas Do Ensino Fundamental.










Portfólio doas Alunos






Releitura na observação do estágio e Releitura após trabalhar o conseito....